Em edição recente sobre o agronegócio, o programa Mundo S/A, da GloboNews, trouxe alguns dados interessantes sobre o setor: o agronegócio brasileiro teve um recorde de produtividade em 2017 e finalizou o ano com um faturamento de R$ 96 bilhões de dólares em exportações. Apesar de a conectividade (acesso à Internet) nas plantações brasileiras ter apresentado um crescimento nos últimos oito anos, pulando de 30% para 42%, somente 1/3 dos produtores rurais se beneficiam dessa tecnologia.

Uma das barreiras para o produtor rural avançar é justamente a falta de acesso à Internet no campo. Esse é um tema que tem sido discutido em diversos fóruns, congressos e feiras de agronegócio, pois limita a implantação de tecnologias de agricultura de precisão e telemetria, e de aplicações de Internet das Coisas (IoT).

Para melhorar esse cenário, o Ministério de Ciências, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) vem trabalhando no projeto “Internet para Todos”, que tem como objetivo levar banda larga a regiões e municípios sem acesso ou com acesso precário à Internet. A conexão será viabilizada pelo Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), em órbita desde maio do ano passado.

Até o momento, foram cadastrados 2.978 municípios e caberá às prefeituras indicar onde serão instaladas as antenas para distribuição do sinal de Internet, bem como garantir a segurança da área e custear as despesas de energia elétrica. A entrega dos primeiros equipamentos para a conexão é esperada para o mês de maio.

Uma vez tendo o ponto de acesso à Internet, será possível conectar as redes de baixa potência Low Power Wide Area Network (LPWAN), um tipo de rede sem fio que tem como principais características a transmissão de dados em longa distância (2 a 50 km em campo aberto), baixa largura de banda (0.3 kbit/s a 50 kbit/s) e baixo consumo de energia (baterias podem durar até 10 anos).

Temos, atualmente, quatro tecnologias LPWAN, sendo elas:

– LoRa (Long Range), LoRaWAN: disponível em algumas cidades brasileiras (infraestrutura aberta);

– Sigfox: disponível em várias cidades brasileiras (infraestrutura proprietária);

– NB-IoT (Narrowband IoT): Infraestrutura 4G das operadoras de telefonia celular. Disponibilidade prevista para 2019;

– Wi-SUN: Nenhuma rede disponível.

Está sendo realizado um estudo do hardware da tecnologia LoRa e se espera obter uma plataforma de baixo custo que possa ser aplicada em agronegócio, mineração e cidades inteligentes. O primeiro protótipo funciona com uma, duas ou três pilhas e transmite dados da tensão de alimentação do módulo sensor, GPS (latitude e longitude), temperatura e luminosidade. Outros sensores poderão ser adicionados para aplicações de monitoramento de umidade do solo, medição de água, gás e energia elétrica, prevenção de desastres físicos, entre outros.

Resta-nos torcer para que o projeto do MCTIC seja implementado rapidamente e venha a beneficiar o agronegócio brasileiro, que já representa um terço do nosso PIB brasileiro, mas ainda tem um longo caminho para crescer e pode se beneficiar grandemente do uso de tecnologias, principalmente no quesito sustentabilidade, para que o produtor rural produza mais com menos.

A infraestrutura de laboratórios do Eldorado nos permite desenvolver produtos de alta qualidade e confiabilidade. Estamos em um bom momento de oportunidades e podemos contribuir na melhoria da conectividade, produtividade e eficiência dos campos.