Computação Afetiva

(08/08/2017)

Eldorado investe em computação afetiva

Em seu primeiro ano de estudo, a Oficina Affective Computing e Brain-Computer Interfaces busca aplicações para sistemas que utilizam como insumos as emoções do usuário.

Um dos novos temas do ciclo das Oficinas Tecnológicas 2017 do Eldorado é Affective Computing, ou computação afetiva, disciplina que leva em consideração as emoções e o humor do usuário para construir aplicações capazes de responder a esses dados. A Oficina envolve, ainda, o estudo de Brain-Computer Interfaces, Interfaces Cérebro-Computador, que têm foco no estudo de dispositivos que permitem interpretar as reações cerebrais perante a diferentes estímulos. Em comum, essas tecnologias buscam compreender o estado emocional dos usuários e, dessa maneira, oferecer serviços e/ou funcionalidades personalizadas.

“Existem duas abordagens distintas na computação afetiva. A primeira é fazer com que o computador tenha emoções, enquanto a segunda tem como foco a interpretação das emoções do usuário pela máquina, que é a nossa abordagem. Por isso, neste primeiro ano, estamos pesquisando a obtenção de emoções com base em voz, vídeo e áudio, e também por meio de wearables, como Fit Bands. Estamos construindo aplicações em um simulador automotivo e complementando os esforços por monitoramento via Brain-Computer Interface (BCI)”, conta Leandro Campos, Líder de Projetos do Eldorado.

A computação afetiva permite criar sistemas fisicamente inteligentes, que são programados para aprender e se adaptar de acordo com seu uso, ao invés de serem programados apenas para uma série de ações predefinidas. “Hoje, temos tecnologia para detectar o nível de estresse de uma pessoa, com uma fit band, mensurando o grau de condutividade da pele do usuário. Por meio da interpretação do tom de voz, é possível identificar tristeza, alegria e raiva. Tudo isso, em breve, vai nos permitir agir de forma proativa e autônoma, com tecnologias capazes de entender, aprender, predizer e adaptar”, explica Campos.

O entendimento das emoções permite uma resposta personalizada aos estados emocionais, por exemplo, um questionário direcionado com base no perfil de estudantes, sugestões de atividades físicas direcionadas de acordo com o perfil de quem pratica, recomendações especializadas de compras de produtos, ou seja, sugestões de ações que estejam de acordo com os sentimentos, humor e nível de stress dos usuários.

A Oficina busca o fortalecimento do Eldorado em suas verticais de interesse, especialmente ligadas às áreas estratégicas da organização. “Estamos pesquisando a aplicabilidade da computação afetiva com maior ênfase na área de saúde e automotiva”, revela Campos. Na área automotiva, a tecnologia pode trazer ganhos no monitoramento do estresse do motorista, antevendo situações de risco e oferecendo medidas de contenção. Já no âmbito da saúde, por meio do monitoramento do humor, em conjunto com outros dados biomédicos do paciente, será possível mapear predisposições para algumas doenças ou, até mesmo, tomar decisões especializadas para cada situação.

“São 25 colaboradores participando dessa Oficina, todos de Campinas e, até o fim do ano, nosso objetivo é estar com protótipos que comprovem o potencial dessa tecnologia para diferentes verticais de mercado”, finaliza Campos.

 Sobre as Oficinas Tecnológicas

O Instituto elege entre cinco e oito temas tecnológicos para compor o conjunto de Oficinas. Cada uma delas tem a mesma estrutura de um projeto de P&D que o Instituto conduz com seus parceiros, com um plano de execução, cronograma de atividades, orçamento, gestão dos recursos humanos envolvidos, eventos de capacitação, parcerias externas, metas, relatórios, pontos de demonstração e, dependendo do caso, análise de viabilidade técnico-econômica, análise de Business Case e plano de comercialização.

As oficinas envolvem, aproximadamente, 20% da base de colaboradores por ano. O trabalho envolve as três unidades – Campinas, Brasília e Porto Alegre, o que também contribui para a integração dos diferentes sites. Cada pessoa trabalha em torno de 4 horas por semana no projeto, ou seja, 10% da alocação semanal, o que totaliza, em média, 16 horas por mês. Quando o tema abordado é mais complexo e extenso existe, também, a possibilidade de alocações formais, com dedicação exclusiva aos estudos nas tecnologias dos projetos.