Instituto Eldorado busca novas áreas

(28/Ago/2013)

Por Cibelle Bouças | De São Paulo


O crescimento econômico mais fraco nos últimos anos estimulou parte da indústria a reforçar parcerias com institutos para desenvolver produtos inovadores. Esse cenário tem favorecido instituições de pesquisa no país, como o Instituto de Pesquisas Eldorado, fundado em 1997 em Campinas (SP). Para este ano, o Instituto projeta um crescimento de 21% no faturamento, para R$ 103 milhões. Para os próximos cinco anos, a meta é crescer 50% em receita.

Para isso, o Instituto vai ampliar seu foco de atuação – concentrado em tecnologia da informação (TI) e telecomunicações. As novas áreas incluem energia, saúde e educação. “Atualmente, 81% do faturamento vêm de projetos beneficiados pela Lei de Informática. A meta é reduzir essa participação para até 70%”, disse Jaylton Ferreira, superintendente do Instituto de Pesquisas Eldorado.

Ferreira assumiu a direção do Instituto em julho, substituindo Arthur João Catto, que atuava como superintendente desde 1999. Desde 2002, Ferreira ocupava o cargo de diretor de tecnologia do Instituto e, antes disso, passou por grupos como Gtech, IBM e Embratel.

O Instituto de Pesquisas Eldorado está desenvolvendo 130 projetos para 50 companhias de TI, incluindo Motorola, Samsung, IBM, Dell, Hewlett-Packard (HP), EMC e Foxconn. Além desses projetos, o Instituto realiza testes para homologação de produtos pelo Inmetro e pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). “A equipe de pesquisadores tem condições de desenvolver projetos para outros setores que possuem uma demanda semelhante à da indústria de TI, como projetos de design, hardware e software”, disse.

No ano passado, o Instituto apoiou o desenvolvimento, por uma equipe da Universidade de Campinas (Unicamp), de um carro com motor elétrico capaz de chegar a 100 quilômetros por hora em menos de quatro segundos. “Após esse projeto, o Instituto foi chamado para outras pesquisas”, disse.

Na lista de inovações está o desenvolvimento de um chip de 65 nanômetros (ou 65 milionésimos de milímetro), o menor do mercado brasileiro. O projeto demandou investimento de R$ 4,5 milhões e foi criado com a empresa brasileira Idea! Sistemas Eletrônicos e a americana Perceptia Device. Ferreira disse que esse tipo de tecnologia pode ser adotada em smartphones, PCs e outros equipamentos conectados, como automóveis, eletrodomésticos e medidores inteligentes de energia.

O executivo planeja ainda firmar parcerias com institutos de pesquisa internacionais para transferência de tecnologia, como o Instituto Fraunhofer para Engenharia de Softwares e Sistemas, da Alemanha, e o Massachusetts Institute of Technology (MIT), dos EUA.

Com 600 funcionários e unidades em Campinas, Brasília e Porto Alegre, o Instituto tem como mantenedores as empresas Magneti Marelli, Motorola e Dell. A estratégia de diversificação já foi adotada por outros institutos. É o caso do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), também de Campinas, que nasceu como um braço da Telebras e há 15 anos diversificou o foco, com projetos para setores como energia, defesa e TI. Em 2012, o CPqD faturou R$ 280 milhões e projeta chegar a R$ 320 milhões este ano, disse Hélio Graciosa, presidente do CPqD.

fonte: Valor Econômico, 20/08/2013