A Identificação por radiofrequênia ou RFID (do inglês Radio-Frequecy Identification) trata-se de uma tecnologia sem fio (wireless) usada para coletar dados. Apesar de o seu surgimento ter acontecido na Segunda Guerra Mundial, para identificação de aviões, o crescimento massivo do seu uso vem acontecendo nos últimos anos, com a redução do custo dos seus componentes.

Segundo um estudo realizado pela Statista, a tecnologia RFID está crescendo em todo o mundo. No setor de logística, espera-se que ela movimente 3 bilhões até 2025. No varejo, há previsão de chegar ao montante de 11,6 bilhões em 2025.

Apesar de todo esse movimento global, no Brasil o RFID ainda é incipiente. Dentre os obstáculos para a implantação no mercado brasileiro está o valor das etiquetas, que são mais caras do que códigos de barra, o que leva as empresas a esquecerem dos benefícios e pensarem somente no custo. Outro ponto é a sensibilidade da tecologia às interferências, pois o RFID é sensível a líquidos e metais. Por fim, é uma tecnolgia pouco conhecida no Brasil.

É um desafio compreender as diferentes marcas e frequências, bem como a utilização de equipamentos RFID. Segundo um estudo da Universidade de Campinas (Unicamp), realizado em 2016, faltam colaboradores com conhecimento técnico avançado para acompanhar a implantação. Além disso, há dificuldade em encontrar fornecedores capacitados para oferecer equipamentos para a estruturas RFID.

São inúmeros os benefícios que essa tecnologia pode trazer para organizações de todos os portes e segmentos, desde reduzir custos operacionais, realizar inventários de forma rápida, rotulagem inteligente, entre outros.

Sistema de Monitoramento Dinâmico com RFID para uso de EPI

O Instituto ELDORADO, em parceria com o Grupo Equatorial, desenvolveu um sistema inovador que utiliza sensores e etiquetas de RFID para promover a segurança do operador, monitorando continuamente o equipamento e certificando-se de que está sendo usado. O sistema facilita o trabalho de inspeção, possibilitando a redução significativa do número de acidentes fatais no ambiente de trabalho.

Com a solução, a escolha dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI) ou Equipamentos de Proteção Coletivos (EPC) certos para cada serviço realizado em redes elétricas de alta tensão, assim como a utilização adequada desses aparatos, é garantida por leitores e tags de identificação por radiofrequência (RFID).

Para cada intervenção em rede elétrica de alta tensão, são definidos os EPIs e EPCs a serem utilizados no início do procedimento. Com o sistema, todos os equipamentos contam com tags especiais, com sensores que permitem a validação da correta utilização dos acessórios e o monitoramento constante do uso dos dispositivos. Em caso de erros, o operador é alertado e a ocorrência registrada.

As antenas RFID foram projetadas internamente no Instituto e confeccionadas por fabricantes nacionais e um chinês. O ELDORADO projetou um chip RFID personalizado, com sensor de temperatura e com provisão para controle de até mais três sensores externos.

Dentre os principais desafios estava obter tags de alto ganho, pela combinação de um projeto bem ajustado da antena aos chips RFID, com impedâncias estáveis e alto ganho. Já do ponto de vista do leitor, os desafios eram selecionar antenas compactas de alto ganho e definir o melhor posicionamento delas.

O sistema alerta localmente o operador sobre o não uso ou uso indevido dos equipamentos. Após um determinado número de alertas, é registrado um desvio e, caso haja meio de comunicação disponível, as informações são automaticamente enviadas à Central de Controle, que pode tomar a ação que julgar relevante.

O modelo experimental está em uso de modo controlado pela Celpa (Companhia Elétrica do Pará), uma das integrandes do Grupo Equatorial. Posteriormente, o objetivo é integrar a solução RFID com o ERP da empresa usuária, prevista na segunda fase do projeto.

Um dos grandes diferenciais é que o sistema RFID se aplica a todas as áreas em que seja necessário garantir o uso correto de EPIs e EPCs por trabalhadores.Os potenciais setores de aplicação são os de petróleo e gás, mineração, construção civil, dentre outros.

Pôster do projeto é reconhecido internacionalmente

O pôster “Dynamic Monitoring with RFID Tag Sensor to Use in Personal Protective Equipment (PPE)”, exposto por Jean Baracat e Flávia Costa, durante o IEEE RFID 2019, realizado em parceria e paralelamente com o RFID Journal LIVE!, em Phoenix, Arizona, nos Estados Unidos, foi escolhido como o melhor entre os concorrentes do mundo todo.

O material foi resultado desse projeto, uma holding com atuação no setor elétrico brasileiro, por meio da CELPA, no Pará, e da CEMAR, no Maranhão, dentro do programa de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico e Eficiência Energética do Setor Elétrico Brasileiro da ANEEL.