Há um consenso de que a crise em que estamos inseridos está gerando um boom de inovações em todas as áreas. Desde a mais simples adequação da operação da empresa em trabalho remoto, com uso de novas ferramentas e rápido aprendizado na gestão de uma operação virtual, quanto inovações em produtos, como respiradores de custo acessível ou mesmo na construção de hospitais em tempos recorde.

Setores estão respondendo das mais variadas formas para sobreviver, para manter vivo o negócio e para aproveitar a oportunidade crescendo na crise. Invariavelmente, o vírus tornou-se um acelerador de disrupção liberando novas formas de valor, por meio  do resultado de aplicação de tecnologias e novos modelos de negócio. Indústrias com baixas barreiras de inovação, mais vulneráveis a grandes disrupções futuras, estão tendo que repensar seu modelo – e aqui é importante chamar a atenção da indústria de saúde, pouco afetada por disrupção na última década.

Nos últimos dez anos, observamos grandes transformações em tecnologias da informação e comunicação, aceleradas pela adoção maciça de smartphones, ambientes em nuvem e demanda crescentes de usuários. Este processo de retroalimentação positiva trouxe ganhos em escala global, abrindo o caminho para uma série de novas tecnologias e aplicações, inserindo, assim, o mundo em uma nova realidade. 

Eu chamo esta fase de tsunami tecnológico: 5G, IOT, Visão Computacional, Inteligência Artificial, Indústria 4.0, Blockchain, entre outros, são exemplos concretos de tecnologias digitais disruptivas que estão inundando o mercado, trazendo novas oportunidades para a indústria de TIC e também para os setores mais diversos, tais como saúde, agronegócio, energia, automóveis e muitos outros. Vivemos um momento de transformação digital, o qual permite que organizações melhorem seus processos ou que no final evoluam em algo novo. 

Olhando para frente, teremos um mercado vacinado contra mudanças drásticas, mais preparado para identificar e responder, rapidamente, a novos desafios e oportunidades, de uma maneira mais concisa e organizada, fazendo uso da gestão da inovação.

As empresas estavam, quando muito, adaptadas para inovações rotineiras, fazendo uso de modelo de negócio e tecnologias correntes na geração de novos produtos. Agora, elas terão que se preparar para introduzir inovações disruptivas, quer seja por meio de novos modelos de negócio, novas tecnologias ou mesmo a combinação de ambos.

Este é o momento para revermos processos internos e quebrarmos paradigmas de gestão. Devemos refletir sobre:

  • Como a inovação é tratada dentro da empresa? Um capricho? Oportunista? Ou suportada por um processo envolvendo a organização, tecido do planejamento estratégico e tecnológico?
  • Como é tratada a Inovação Aberta? O que é isto? Modismo? Impossível de ser implementada ou existe a construção da cultura de inovação aberta, maximizando o potencial do ecossistema em que a empresa está inserida?
  • Estamos prontos para experimentar? A inovação é fruto da experimentação, é a nossa oportunidade de testarmos modelos e acertarmos nossa visão. A experimentação deve ser base do sucesso da empresa.

Vamos aproveitar o momento e acelerarmos nossas transformações digitais, de negócios, de processos e produtos. Na crise de 2008, as empresas que souberam se transformar foram as empresas que inovaram suas organizações e investiram acima da média em pesquisa e desenvolvimento. É a hora de pensarmos neste novo normal, com a consciência da inovação, acelerando o digital.

Roberto Soboll é o superintendente do Instituto ELDORADO – P&D, soluções em TIC e Microeletrônica, acelerando a inovação no Brasil.