Teste de SAR

Sempre que realizamos a compra de um novo smartphone, pensamos em fatores como o desempenho e a duração da bateria. Porém, muitos de nós ao procurar um novo aparelho, não conhece ou nem imagina a quantidade e a importância dos ensaios realizados para garantir a segurança do usuário e o desempenho essencial do produto.

Entre eles, podemos destacar:

  • os ensaios realizados em baterias (os mais lembrados);
  • os de compatibilidade eletromagnética (EMC);
  • radiofrequência;
  • alguns sem processo de certificação compulsório no país, como o de certificação IP68;
  • os ensaios de OTA (Wireless Device Over-the-Air Performance)
  • e, por fim, o teste de SAR, sigla para Specific Absorption Rate ou simplesmente Determinação da Taxa de Absorção Específica.

Teste de SAR: o que é e qual sua importância?

O teste de SAR surgiu devido a enormes preocupações sobre o efeito de radiações e suas consequências no corpo humano. Equipamentos que venham a emitir valores acima do limite normativo podem elevar a temperatura do tecido biológico humano, trazendo danos à saúde, como a alteração do metabolismo celular, fadiga, distúrbios do sono e no funcionamento dos órgãos. Isso porque suas composições químicas contêm líquidos, como a água. Problemas como a catarata e a alteração da permeabilidade da barreira hematoencefálica são alguns casos conhecidos (COIMBRA, 2006).

Regulados pela Anatel, de acordo com o Ato Anatel nº 955 de 2018, os testes de SAR são mandatórios no Brasil. Seus limites são definidos de acordo com o modo de operação do aparelho, sendo a potência absorvida por massa (tecido humano), que tem como unidade de medição watt por quilograma (W/kg). A tabela abaixo apresenta estes limites:

Teste de SAR

Como esses ensaios são realizados? 

Os sistemas de medição de SAR usam manequins padronizados simulando a cabeça e corpo humano. Estes manequins são normativos e suas dimensões foram definidas após análises e medições em soldados norte-americanos durante a segunda guerra mundial. (GORDON, 1988).

Teste de SAR

Esses manequins são preenchidos com líquidos específicos que simulam as características dielétricas de absorção de radiofrequência do tecido humano por diferentes faixas de frequência. Estas características são:

  • permissividade: constante dielétrica relativa na capacidade que o tecido humano tem de absorver o campo elétrico.
  • condutividade:  capacidade do material de conduzir a corrente elétrica.

Estes parâmetros devem ser medidos por no máximo 24 horas antes do ensaio ser realizado, respeitando a tolerância de variação daqueles especificados pela norma. Após as medições dos parâmetros dielétricos, o sistema é verificado, com auxílio de outros equipamentos, como antenas do tipo dipolo, geradores de sinais CW e medidores de potência. Ele deve atingir valores de referência definidos pelo fabricante do sistema de medição, respeitando uma tolerância máxima de 10%. Se em algum momento o sistema não atender ao requisitado, não podemos realizar os ensaios.

Realizadas as medições de controle e garantia do funcionamento do sistema, o equipamento sob ensaio é configurado em tecnologias e frequências específicas, na máxima potência, e posicionado sob o manequim, com uma distância definida por seu fabricante, sendo essa informação divulgada no manual do aparelho.

A medição de SAR é feita com auxílio de uma ponta de prova de dosimetria calibrada, medindo pontos de uma grade que cobre toda a dimensão do equipamento sob ensaio, de modo a encontrar o pico da absorção e então realizar uma medida de varredura fina de volume centralizada neste ponto, chamada Zoom Scan. A partir desta medida, obtém-se a SAR média.

Qual o limite permitido no Brasil?

Segundo a regulamentação definida no Ato Anatel n° 955 de 2018, todo dispositivo que opere a menos de 20 cm do corpo humano e possua transmissão de RF com potência média medida acima de 20mW, com frequência e operação entre 300 MHz até 6 GHz, deve passar pelos ensaios de SAR. Se o equipamento emitir um valor acima do limite normativo, não é permitida a comercialização no Brasil.

Teste de SAR

Teste de SAR no Instituto ELDORADO

Assim podemos notar a importância deste ensaio no setor de smartphones, tablets e notebooks. No ELDORADO, contamos com 4 sistemas de medição de SAR, podendo ser utilizados tanto para certificação, como para  desenvolvimento e comparações de produtos, não só em telecomunicações, como também para a área médica.

O resultado de SAR obtido durante os ensaios pode ser encontrado no manual de segurança do aparelho, assim como a distância utilizada, sendo esta a recomendada para uso, como nos exemplos abaixo:

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