A equipe apresentou o Memora, plataforma online que torna acessível a criação de gêmeos digitais (réplicas virtuais tridimensionais) de lugares reais
Os estudantes João Victor Perosso Souza, José Henrique Lima Dias e Marco Antônio Baltazar Bueno, do Apple Academy do Instituto ELDORADO, representaram o Brasil no Idiap Create Challenge 2026, na Suíça, com o Memora, plataforma idealizada por eles para democratizar a criação de gêmeos digitais de lugares reais.
O Idiap Create Challenge é uma competição internacional de inovação e tecnologia organizada pelo Idiap Research Institute, sediado em Martigny, na Suíça. O instituto é um dos mais prestigiados centros de pesquisa em Inteligência Artificial do mundo e o berço do Torch, a biblioteca original de aprendizado de máquina que serviu de base direta para a criação do PyTorch. O programa funciona como um catalisador de ideias: seleciona projetos de diversas localidades e estimula as equipes a empregar, de forma otimizada, tecnologias de ponta em IA, visão computacional e machine learning para desenvolver soluções inovadoras.
A edição de 2026 reuniu 23 finalistas, entre desenvolvedores, pesquisadores e empreendedores, divididos em 10 equipes, em uma maratona intensa ao longo de nove dias de imersão. As equipes desenvolveram protótipos com mentoria técnica e científica de pesquisadores das instituições apoiadoras do desafio. O processo culminou em pitches finais, avaliados por um júri formado por especialistas de diferentes áreas. Os temas abordados incluíram Patrimônio Cultural, Artes Cênicas, Livros e Publicações, Moda, Arquitetura e Urbanismo, todos sob a perspectiva das Indústrias Criativas e Culturais.

O projeto Memora
O Memora usa o Gaussian Splatting, técnica da computação gráfica que gera modelos 3D mais realistas e vívidos, e reúne todas as etapas do processo de criação de gêmeos digitais em um só lugar.
Como maior diferencial, a equipe desenvolveu um protótipo que, a partir da reconstrução atual do local, utiliza poucas fotos de arquivo e IA generativa (modelos de difusão de ponta) para gerar versões estimadas de como aquele espaço era em diferentes épocas. Com isso, a plataforma oferece às instituições de patrimônio cultural uma forma acessível de preservar digitalmente esses lugares e registrar suas transformações ao longo do tempo.
“Poder levar uma ideia que nasceu dentro de um projeto educacional aqui do Brasil para a Suíça foi, sem dúvida, uma responsabilidade tão grande quanto a representatividade que carregamos lá”, conta Dias.
Durante a imersão, a equipe precisou transitar entre áreas bem diferentes: da aplicação de modelos de IA de estado da arte a uma pesquisa de mercado aprofundada para entender quem pagaria pela plataforma e quem poderia apoiá-la.
Para Bueno, foi “uma experiência de muita evolução pessoal e profissional”. “Viajar, conhecer pessoas de outras culturas e ver de perto como se constrói tecnologia lá fora abriu ainda mais meus olhos para o que podemos fazer aqui”, afirma.
A competição também mudou a forma como o grupo enxergava o próprio projeto. “Ver que estávamos competindo com profissionais de alto nível da Europa foi, sem dúvida, uma quebra de perspectiva”, diz Perosso, que destaca o papel do Apple Academy e do Instituto Eldorado: “Isso não seria possível sem o apoio do Apple Academy e do Eldorado, pois a confiança colocada no nosso potencial nos fez acreditar em nós mesmos.”
O grupo saiu da competição com a experiência de transformar uma ideia técnica em um produto e com uma equipe que aprendeu a construir sob pressão. Para Dias, “foi uma das melhores experiências que já vivi”. Bueno diz sair “muito grato pela oportunidade e orgulhoso do time que construiu esse projeto comigo”, e Perosso completa: “Vou levar essa experiência para toda a minha vida.”
Sobre o Idiap Create Challenge
O Idiap Create Challenge existe para fomentar a inovação e o empreendedorismo em IA e funciona como uma verdadeira incubadora, transformando ideias em protótipos funcionais com potencial de se tornarem startups. Em sua 15ª edição, o desafio teve como recorte as Indústrias Criativas e Culturais, convidando os participantes a explorar aplicações de IA em setores como patrimônio cultural, artes cênicas, moda, arquitetura, publicações e mídia.
O evento é organizado e financiado pelo Idiap Research Institute em parceria com a Fondation The Ark. Os principais patrocinadores são a IdeArk, braço de incubação de startups da Fondation The Ark e responsável pela maior parte da premiação; a OIKEN, maior distribuidora de energia da região; e o Groupe Mutuel, uma das principais seguradoras de saúde da Suíça. Entre os apoiadores estão a PRISM, programa do cantão de Valais voltado a fortalecer as indústrias criativas e culturais da região, e a Conexkt, consultoria de inovação e comunicação.

Próximos passos para o Memora
Segundo os estudantes, o foco agora é explorar novos métodos de reconstrução para aprimorar o projeto. Gerar um gêmeo digital a partir de poucas fotos, completadas por IA, foi o maior desafio técnico da equipe, já que o Gaussian Splatting depende de muitas imagens consistentes entre si. “Em paralelo, queremos transformar o protótipo da competição em uma versão testável da plataforma e levá-la a um piloto com instituições de patrimônio, aproveitando os contatos feitos nas entrevistas e durante a competição”, afirma Perosso.
A equipe também pretende firmar parcerias com esses profissionais e organizações e buscar financiamento por meio de editais de inovação.